leitura e gatilho de ansiedade

Já faz um tempo que eu não venho aqui conversar sobre experiências literárias. Mas nos últimos dias venho pensando a respeito de gatilhos de ansiedade e também sobre a pressão que muitas vezes coloco em mim mesma para ler muitos livros.

Em 2020 decidi que não iria fazer uma meta de livros a serem lidos de acordo com número. Iria apenas colocar na meta de leitura anual do Skoob os livros que quero ler no ano. Mas, toda vez que entro na página das metas de outras pessoas me sinto um pouco atrasada. Como pode eu ter um ritmo de leitura de 31 páginas por dia enquanto outros leitores leem 280, 250, 100 páginas por dia?

E eu sei que não sou a única que se sente um pouco sufocada de vez em quando com isso. E por coisa disso resolvi pensar mais a respeito de como as metas de leituras podem ser não somente prejudiciais para as nossas experiências de leitura, como também para a nossa saúde mental.

Por que leio?

Leio por amar realmente ler. Amo conhecer novas histórias, amo como as histórias conseguem me tocar profundamente, como me sinto acolhida por personagens e suas jornadas. Amo como os livros me permitem escapar da realidade e se tornam mais do que entretenimento, se tornam abrigo.

Mas quando torno a leitura uma competição minha comigo mesma ou com outras pessoas, perco tudo isso. Eu passo a ler por muitos outros motivos: querer mostrar para mim mesma que consigo ler dezenas de páginas por dia, que consigo ler dezenas de livros no ano. E, nisso, perco toda a diversão da leitura.

Acontece que ninguém é menos leitor por ler menos livros - assim como ninguém é mais leitor do que alguém apenas porque consegue ler 100 livros por ano. 

Nessa corrida de leitura, deixamos de lado de apreciar realmente o que é a leitura. Deixamos de apreciar as histórias em toda sua magnitude de sensações que podem nos fornecer, lemos na pressa de querer contar como mais um livro lido e assim ficamos apáticos para todo o potencial que aquele enredo, aquela narrativa, aqueles personagens têm a nos oferecer.

E no final das contas, ler um livro rapidamente ou devagar não faz diferença. Portanto, para que se forçar? Leia de acordo com a sua própria vontade, com o seu próprio ritmo.
leitura e gatilho de ansiedade


E daí demorar para ler?

Eu já li um em apenas dois dias e se tornou meu livro preferido da vida. Também tive uma leitura que demorou dois meses para que eu pudesse concluir e nem mesmo por isso foi um livro foi ruim. O que diferencia é a experiência que tive com a história - determinados livros temos o ímpeto de ler sem parar, virar a noite vivendo aquela história, e tem outros livros que saboreamos gradualmente, apreciando toda sua qualidade em doses homeopáticas. Ambos são livros excelentes, ambas as experiências de leitura foram incríveis.

O que muda, além do tempo em que demorei para ler? Nada.

A verdade é que não importa nem um pouco o quanto você lê, mas a experiência que você cria com aquele livro, seja lendo 300 páginas em um dia apenas, seja lendo 30 páginas por dia. 

Seja mais gentil com você

Por fim, toda essa ansiedade, pressa em ler, desejo de provar algo para alguém ou para você (mesmo que isso não seja necessariamente um pensamento, algo que você faça racionalmente) não tem uma razão de ser, especialmente quando você já tem tanta pressão na sua vida, tantas metas, tantos prazos, e outros motivos que causam ansiedade.

Então, vamos deixar a leitura na categoria de prazer, entretenimento, diversão e tirar desse hábito que pode nos trazer tanto conforto, o peso e a pressão das cobranças que não são necessárias.

E você? Como você se relaciona com as suas metas de leitura? Já se sentiu pressionado para ler? Comenta aqui embaixo e compartilha também suas experiências sobre o tema!



8 Comentários

  1. Oie...
    Acho essencial você ter levantado essa questão. Faz alguns meses até dei um tempo do meu blog, porque os livros estavam me sufocando... Acontece que estava lendo em média 10, 12 e até mais livros por mês. Sempre pensando em metas, números, tinha que ler esse e aquele e aquele outro e tudo isso ia me desgastando muito e, por fim, tinha até deixado de fazer pequenas coisas que amava fazer... E isso não estava sendo saudável pra mim... Foi aí que decidi dar um tempo do blog.
    Hoje em dia voltei pro blog, mas, estou lendo com mais calma, sem metas, sem pressa e com muito mais prazer!
    Beijos

    http://coisasdediane.blogspot.com/

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  2. Oii !
    Adorei muito o seu post, a forma de como você falou em relação as metas de leituras e das pessoas querer se cobra muito por conta de que leu pouco no mês e tal. Eu realmente procuro ler no meu ritmo, aproveita bem a leitura e dela tira algo para mim e aprender. Algumas pessoas se preocupa mais com as metas do que aproveita-las. Isso as vezes é ruim!

    Blog: Tempos Literários

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  3. Oi, Aléxia
    Achei super legal você fazer um post informativo assim. Eu tinha várias metas literárias, antes fazia TBR e maratona, mas não conseguia cumprir quase nada do que estabelecia, e isso me frustrava. Há dois anos eu parei de fazer isso. Prefiro ler os livros que quero, sem tema, sem me forçar a ficar saindo da zona de conforto quando eu realmente não quero.
    A leitura é pra ser algo prazeroso, mas se a gente não consegue sentir prazer lendo porque estamos mais preocupados com número, não faz o maior sentido. Acho que a única "meta" que eu tenho é sempre tentar ler mais que o período anterior. Mas não é algo que eu me obrigo a ficar fazendo sabe. Se rolar, ok, se não paciência.
    Beijo!
    http://www.capitulotreze.com.br/

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  4. Eu faço metas mas nem me prendo muito a isso. Eu acho que é só pra ter uma noção mesmo do que ler e quando ler.
    Concordo que nem todo mundo se dá bem com isso e acaba se tornando mais uma obrigação que algo prazeroso.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  5. Oi Lex.
    Eu assino embaixo em todas as palavras desse post. Gosto muito de ler, mas toda vez que faço metas sinto como se todo meu gostar desaparecesse.
    Desde que comecei a não fazer lista, sinto-me mais fluída e mais feliz. Assim como você super recomendo isto.
    Beijos.
    Fantástica Ficção

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  6. Muito bom este post, eu sempre li por prazer, procuro sempre ler para aumentar a minha criatividade, pois escrevo poesias e de vez enquando crio algumas histórias. Parabéns pelo post.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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  7. "Mas quando torno a leitura uma competição minha comigo mesma ou com outras pessoas, perco tudo isso. "

    Disse tudo! Eu não faço mais metas pois sei que as atividades que tenho durante o dia não me permitem. Como só consigo ter uma boa leitura com silêncio, a quarentena não tem sido um momento proveitoso nesse sentido (visto que tenho mais pessoas aqui em casa durante todo o dia), mas sei que, em algum momento, voltarei a realizar esta atividade que tanto gosto. Antes me cobrava demais por não conseguir ler o tanto quanto queria, hoje entendo que a paciência, no meu caso, deve ser exercitada. E está tudo bem :)


    Um abraço,
    Patricia

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  8. Eu acho que esse é um sentimento que ronda todos nós. Eu sei que estou bem, lendo bem, mas sempre que vejo as outras pessoas lendo mais, acho que tô "perdendo a corrida". Eu acabo colocando na meta do Skoob livros que tô lendo naquele momento ou que estou com muita vontade de ler, mas não me obrigo a seguir à risca. Tem dado certo... Mas eu sempre, sempre carrego esse sentimento de que poderia estar lendo mais. Vida que segue, né?
    Muito bom esse diálogo criado através desse post. Faz a gente pensar um pouquinho.

    Bjs miga <3
    https://www.roendolivros.com.br/

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